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| Palavra do Presidente |
A Cara do Brasil
Publicado no Editorial nº 255 da Revista França Brasil - Outubro 2002
É inegável a vocação do Brasil para o turismo. Não apenas por suas belezas regionais, seu litoral gigantesco ou seu acervo histórico, ou ainda sua exuberância natural e um clima invejável. Nota-se essa aptidão também pelas características de sua gente, alegre, amável e hospitaleira. Apesar de tudo isso, falta ao Brasil um grande projeto para o Turismo. Uma ação coordenada, que junte todas as pontas e os agentes desse setor promissor para o país e para os brasileiros. Bem planejada, a indústria do Turismo pode dar a resposta mais rápida na retomada do crescimento do Brasil e ser uma importante fonte de empregos, de renda e de geração de divisas.
São admiráveis as soluções encontradas pela Espanha e pelo México, por exemplo, que, por meio do Turismo, reencontraram o caminho do desenvolvimento e se fixaram como destinos turísticos mundiais importantes, conhecidos, desejados e explorados de maneira rentável e racional.
Nos últimos anos, apenas com a estabilidade da economia, o Brasil experimentou, ainda que de maneira dispersa e inconsistente, o crescimento das visitas de turistas e dos investimentos em hotelaria. Apesar de positivo, está muito longe do seu potencial. O que comprova a necessidade de ações coordenadas, sobretudo de um grande projeto nacional, em três vertentes básicas e unificadas: a adoção de uma verdadeira e responsável política nacional de turismo, o investimento em um plano estratégico de marketing e a significativa melhoria na qualidade dos serviços relacionados ao setor. As questões do desenvolvimento do Turismo permeiam não só o Governo ou o empresariado especializado. O assunto está relacionado a uma cadeia de agentes, que reúne o Governo em seus três níveis federal, estadual e municipal , os empresários, os investidores e também a população.
O Turismo é uma indústria que utiliza mão-de-obra em larga escala, direta e indiretamente. Tem-se uma tendência de se pensar apenas nos hotéis e nas agências de viagens. No entanto, um turista que chega ao país dispara uma enorme rede de serviços, como transporte, alimentação, hospedagem, entretenimento, compras etc. Um cidadão, habitante de uma pequena cidade na França, ao escolher Costa do Sauípe na Bahia como destino de suas férias, mexe diretamente com a vida do motorista de táxi e dos artesãos do pequeno município de Mata de São João, naquele litoral.
Portanto, é preciso capacitar mão-de-obra para essa complexa cadeia de serviços, ao mesmo tempo em que são indispensáveis os investimentos em infra-estrutura, a fim de encantar o turista, aumentando as chances de ele, na próxima oportunidade, voltar.
A indústria do Turismo tem a capacidade de gerar empregos com a cara do Brasil, trazendo de volta à vida produtiva milhões de trabalhadores excluídos do mercado por força da enorme crise recessiva dos últimos anos.
Por fim, e não menos importante, o Turismo pode desempenhar um papel essencial na balança comercial brasileira, mediante um aporte substancial de divisas. Até mesmo a aquisição de um simples refrigerante saboreado por um turista estrangeiro na praia de Juquehy, no município paulista de São Sebastião, integra o processo de exportação do Brasil.
s Todos os agentes, públicos e privados, da cadeia do turismo devem empunhar essa bandeira que abre um novo mundo de oportunidades para o pais.
por Firmin António
Fundador e Presidente do Grupo Accor no Brasil e Diretor-geral da Accor América Latina
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