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| Palavra do Presidente |
Tendências do Turismo
Versão integral das idéias sugeridas por Firmin António no painel "Novos Caminhos para os Produtos Turísticos" no FÓRUM PANROTAS - Tendências do Turismo, realizado em São Paulo no dia 25 de Março de 2003.
A guerra em andamento afeta o turismo
A Nível Global, basta ver o que aconteceu em 2002, após o 11 de setembro, para esperar o pior para o Turismo internacional no curto prazo.
O Turismo é uma indústria, que, se por um lado ajuda a promover a paz, por outro lado, só se desenvolve em tempos e lugares em que há paz.
A questão é:
Esta guerra criticada por grande parte da opinião pública mundial - composta precisamente, por grandes franjas de consumidores do turismo, com estado de ânimo exaltado ou deprimido -, será prolongada ou não? Deixará resquícios emocionais e problemas não resolvidos ou não?
O Turismo se desenvolve ou entra em recessão por três fatores:
- Segurança
- Crescimento Econômico
- Câmbio
Hoje, dois destes três fatores seriam favoráveis à migração de turistas internacionais de outros destinos para o Brasil e para a América Latina.
Mas o mais provável é que esta guerra, ao vivo, com toda essa "debauche" de imagens na TV, segure em casa os turistas europeus, asiáticos e sobre tudo os americanos.
Em 2003 as viagens serão decididas na última hora, por impulso. É isto que o Brasil deve aproveitar: "estar na mente do viajante internacional como a alternativa segura/atrativa e barata - receber em moeda forte serviços pagos em reais !
Obviamente que para o Brasil a chance maior se situa no seu próprio país e na sua própria região!
Esse deveria ser o foco do ano de 2003 enquanto se preparariam as ações de marketing para atrair a clientela dos grandes mercados emissores em 2004.
Em suma, o pior cenário seria o de esperarmos para ver. O imobilismo. Porque é investindo na crise que se colhe os melhores resultados!
Temos que preparar o pós guerra! Temos que ter uma agenda para 2003 e 2004!
Nós da Accor já estamos preparando o pós-guerra. Estamos cautelosos, mas otimistas.
Nossos trunfos para enfrentar a crise, e que já foram úteis no passado são:
- Temos uma carteira de clientes de 60000 empresas de todos os setores da Economia.
- Temos uma estrutura hoteleira de 120 hotéis, moderna e segmentada, com marcas admiradas pelos clientes.
- Temos poderosos meios de distribuição eletrônica(internet, centrais de reserva) uma operadora e uma agência de viagens: sinergia e complementaridade.
- Temos profissionais de qualidade impar, em constante processo de aprimoramento na nossa Academia - somente em 2002, 22500 dos nossos 27 000 colaboradores passaram pela Academia.
- Temos um cartão fidelidade para nossos clientes "Carte Compliment" que oferece vantagens a 5000 hóspedes.
- Temos um relacionamento profissional com parceiros investidores.
O destino do Brasil como um destino turístico
Todos os que querem sobreviver, ou "superviver" no Turismo, têm que ter em mente que esta é uma indústria que se desenvolve a longo prazo!
Assim, a tática vencedora no curto e médio prazo para ganhar é a de jogar no ataque, em três frentes, ou seja:
vender o "Turismo Brasil"...
- No Mundo
- No Brasil
- E em Brasília
Ocupar hoje uma tímida colocação na preferência do turista estrangeiro - fala-se da 29a , não deve gerar frustração mas reação.
Se os posicionamentos mercadológicos demoram a fixar-se então é hora de agir sobre as mudanças de mentalidade e outras alavancas a todos os níveis:
setores público e privado, terceiro setor, etc.
Criar um imenso "cluster", um imenso "mutirão" que envolva todos os protagonistas desta enorme engrenagem que vai da presidência da república ao motorista de táxi,...
- Passando pelas embaixadas...
- Convention Bureaux...
- Escolas...
- Garçom de restaurante...
- Bilheteiro do Museu, etc.....
É preciso que não somente os dirigentes, mas também os trabalhadores do Turismo sintam orgulho de servir neste métier. Esse será o maior diferencial do turismo brasileiro: "a gentileza e o prazer de servir de sua gente!".
O estágio atual de desenvolvimento do turismo brasileiro me permite duas afirmações otimistas:
A) Temos ainda muito por fazer. Ou seja, existem enormes oportunidades de crescimento.
B) Os atores dedicados ao Turismo neste país são verdadeiros heróis. Ou seja, existe uma oferta turística de bom nível e que está em boas mãos!
Conheço inúmeros segmentos de atividade neste país que sofrem por atuar em mercados com potenciais reduzidos, mas este não é o nosso problema graças a Deus!
O nosso problema é a atomização dos esforços dos atores do turismo, além da falta de apoio e de políticas públicas que só começaram a mudar nos últimos dois ou três anos, o que é pouco.
Um Projeto para o Turismo no Brasil
Costumo usar uma imagem na nossa empresa que gosto de chamar de a fórmula do sucesso. Ela é bastante simples: Razão mais Emoção, igual a Lucro.
Deixo aqui essa expressão como proposta e como ponto de reflexão. Nesse caso, ao aplicar essa fórmula, destacaria que:
A Razão é a plena utilização de todos os meios - políticos, econômicos, culturais e profissionais - para "vender" o Brasil como destino turístico predileto do século 21.
Penso que o Brasil já possui o essencial exigido como padrão para uma oferta turística internacional, doméstica, de lazer ou de negócios.Digo o essencial e não tudo, porque faltam, claro, muitas coisas. Essa falta é perfeitamente natural, porque à oferta se adapta a demanda. E a medida em que o círculo virtuoso se formar, o poder público e os atores do Turismo saberão responder com mais infra-estrutura e com mais serviços.
A Emoção é o charme, a atratividade que é imensa no Brasil. É tanta que supera suas fraquezas como os problemas internos de segurança e do contexto social.
Sou europeu, francês nascido em Lisboa, dirijo uma importante filial de um dos maiores grupos mundiais de Hotelaria, Viagens e Serviços e sou testemunha dessa magia que o Brasil exerce sobre as pessoas, seja para lazer, seja para negócios.
A imagem do Brasil melhorou. Uma nova ordem política, econômica e social tomou posse e foi alvo de notável aceitação no mundo inteiro.
Devemos agarrar essa oportunidade. Como atores do Turismo, temos a obrigação de tirar o máximo desse momento favorável, em que o Brasil volta a ser a "menina dos olhos".
O Lucro, como em todo negócio, é uma questão de merecimento. O turista seja brasileiro a trabalho ou férias, seja estrangeiro a negócios ou a lazer, quer um serviço profissional. Ele quer felicidade e está disposto a pagar por isso, remunerando assim nossos investimentos e nosso trabalho.
Nós da Accor acreditamos que o Brasil possa ser um destino turístico de classe mundial. E, fazemos a nossa parte. Investindo enormemente em infra-estrutura, em comunicação, em nossos profissionais, que são formados na nossa Academia, na nossa universidade de serviços.
Além disso, não medimos esforços para que o turismo revele seu potencial de geração de empregos, de distribuição de renda, como uma das principais forças para o desenvolvimento do Brasil.
Se o combate à exclusão, neste país, passa pela melhoria conjunta da educação, da saúde e da criação de mais empregos, e de bons empregos para a gente brasileira... então, o desenvolvimento do turismo é a melhor resposta, fazendo com que a contribuição para o turismo e a nossa luta valham a pena.
Nesse momento, com o novo Governo, com um pouco menos de 3 meses de atuação, já é possível notar alguma mudança
O novo governo deu um sinal animador ao instituir o Ministério do Turismo, descolado de outras pastas. Sinal de que, como rezava seu plano de governo, o turismo é considerado ferramenta estratégica de desenvolvimento.
É preciso que o ministro Mares Guia, assuma a batuta e, como um maestro diante da orquestra, conduza cada um dos instrumentos, suas secretarias, de maneira a produzir em conjunto um resultado harmonioso.
Porém, não podemos esperar tudo do Governo.
Temos que buscar soluções criativas e nos adaptarmos ao cenário mesmo que seja de crise.
- Temos um destino atrativo
- Infra-estrutura razoável
- Temos uma administração em boas mãos
Mas, falta-nos um Projeto que una "a todos nós" e que faça com que o Brasil seja uma marca turística diferenciada, com valor real e sustentado no dia-a-dia, no face-a-face, com o turista nacional e internacional, a lazer ou a negócios.
Este é o grande papel da Embratur, sob o comando de Eduardo Sanovicz.
O nosso papel será o de Vender, Vender, Vender.
Parabéns ao PanRotas pelo evento"Unindo todos os que amam, lutam e vivem do Turismo e para o Turismo."...
por Firmin António
Fundador e Presidente do Grupo Accor no Brasil e Diretor-geral da Accor América Latina
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