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| Palavra do Presidente |
Substituindo Turista por Consumidor
Versão integral do discurso proferido por Firmin António, Fundador e Presidente do Grupo Accor no Brasil e Diretor-geral da Accor América Latina, por ocasião da abertura da reunião do Conselho de Empresários do Fórum Mundial de Turismo, realizado no Hotel Sofitel São Paulo no dia 18 de Maio de 2005. Firmin António preside também esse Conselho de Empresários.
"Sr. Ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, , Sr Presidente da Embratur, Eduardo Sanovicz, Sr. Presidente do Instituto de Hospitalidade e da Fundação Turismo para a Paz e Desenvolvimento Sustentável Sérgio Foguel,
Prezados amigos empresários,
Agradeço a presença de todos nesta reunião do Conselho de Empresários do Fórum Mundial de Turismo. A qualificação desta platéia já comprova a importância do tema que estamos por debater.
Temos aqui representantes do primeiro escalão de importantes companhias dos mais diversos setores econômicos. Em comum, temos o interesse em descobrir o potencial impacto do turismo na economia do Brasil e, por conseqüência, para as empresas que dirigimos.
O turismo é uma atividade extremamente dinâmica, com múltiplas facetas que estimulam a criatividade e o empreendedorismo.
Novas oportunidades surgem a toda hora nas mais variadas áreas, porque o turismo movimenta 52 setores da economia - do alumínio ao cimento, do PVC ao papel, do petróleo às telecomunicações... Por exemplo, a Accor Hotels, que eu presido, abrirá mais 50 unidades hoteleiras com 8.200 apartamentos até 2007. Para tanto, compraremos 3.600 toneladas de aço, 31.000 metros cúbicos de concreto, 48.000 metros quadrados de esquadrias de PVC e 24.000 metros quadrados de pisos de cerâmica.
Em 2007, o funcionamento das 180 unidades hoteleiras da Accor Hotels, com seus 30.000 apartamentos exigirá o consumo anual de: quase 1 milhão de lençóis e toalhas, 6,5 milhões de sabonetes, 2,2 milhões unidades de shampoo e inacreditáveis 411 toneladas de papel...
E o parque hoteleiro é somente uma das pontas desse imenso iceberg. Na cidade de São Paulo, por exemplo, em 2004, tivemos 90.000 eventos, entre feiras e convenções. Aqui, a cada 4 turistas que chegam na cidade, 3 vêm a negócios . Com um gasto médio de R$ 215 por dia e uma permanência média de 2,4 dias, estes quase 6 milhões turistas brasileiros e estrangeiros que visitaram a cidade a negócios no ano passado injetaram bilhões de reais na economia local (mais de 3 bilhões). O turismo é uma potente forma de exportação, que nos permite vender em dólar dentro de nossas fronteiras. Em 2004, o Brasil recebeu mais de quatro milhões e setecentos mil turistas estrangeiros a negócios e a lazer. Se cada um ficou pelo menos dois dias e consumiu dois refrigerantes por dia, por exemplo, o turismo gerou um consumo adicional de quase dezenove milhões de refrigerantes. E remunerou em dólar uma cadeia produtiva que começa com a extração da bauxita, o processamento do alumínio, o envase do líquido etc... até seu transporte e venda.
Assim o turismo interessa a toda a atividade econômica e não apenas aos setores diretamente envolvidos, como os de transporte, agências de viagens e hotéis e, por isso, o Ministro Walfrido dos Mares Guia idealizou este Conselho de Empresários do Fórum Mundial de Turismo, com representantes de todos os setores da indústria e serviços.
Este Conselho tem um estilo próprio adaptado às necessidades de empresários cuja agenda complexa e mutável nem sempre nós permite assumir mais compromissos fixos e participar de Conselhos à moda antiga. Ele é flexível e participativo na busca de idéias que possam contribuir com os rumos do turismo no Brasil. Queremos inocular a idéia do turismo como prioridade na economia brasileira, fazendo com que empresários de todos os setores participem, desta forma, da criação de um novo modelo de desenvolvimento do país. Lembrando que o Turismo é alem de tudo, uma poderosa alavanca para os negócios de todos nós e precisa ter seus efeitos considerados em todos os planos empresariais substituindo doravante a palavra turista por consumidor . Devemos acreditar no Turismo e nas enormes oportunidades que nos oferece. Temos a nosso favor a forte vocação turística do país. Não é a toa que mais de 90% dos turistas que vêm ao país desejam voltar de novo.
O Brasil tem potencial para conquistar uma fatia maior deste bolo, que hoje movimenta entre 3,5 e 4 trilhões de dólares no mundo todo. Não podemos ser a décima segunda economia do mundo e apenas o trigésimo colocado no ranking do turismo mundial. E, nesta reunião, terão a oportunidade, de conhecer alguns dos planos do Ministério e da Embratur para superarmos este "Gap"
É por isto que eu aceitei este desafio de promover a convergência entre o desenvolvimento empresarial, os planos do Ministério e os ideais do Instituto de Hospitalidade. Pois eu acredito !
Muito obrigado".
Firmin António
Fundador e Presidente do Grupo Accor no Brasil e Diretor-geral da Accor América Latina
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